No dia 11 de dezembro de 2009 a imprensa francesa associada, AFT, publica:
AFP: Budistas ameaçados de sair do templo vietnamitaAFP: Budistas ameaçados de sair do templo vietnamita
UM CLAMOR PELA PAZ
Queridos amigos ao redor do mundo,
O dia 31 de dezembro de 2009, último dia do ano, marca um momento especial para muitos de nós; muitos celebram, fazem resoluções enquanto entram no Ano Novo de 2010.
Esta data também marca um momento doloroso para uma comunidade de monges e monjas das áreas montanhosas do Vietnã central. Depois de terem resistido pacificamente por mais de um ano a uma brutal perseguição física e psicológica – o governo finalmente conseguiu dissolver esta comunidade – o prazo máximo oficial para eles se dispersarem foi ontem, 31 de dezembro.
Este é um momento simbólico para eles e para os membros da comunidade mais ampla da tradição de prática meditativa fundada pelo monge budista e militante da paz Thich Nhat Hanh. Todos os 400 membros da comunidade já fugiram do templo onde se refugiaram depois de terem sido violentamente expulsos do próprio mosteiro deles em setembro do corrente. Muitos estão agora escondidos no Vietnã. Eles aguardam ansiosamente pela resposta do governo francês a quem solicitam asilo. A intenção deles é permanecer temporariamente no mosteiro lar deles em Plum Village, sudeste da França, até que o governo no Vietnã se torne mais aberto e eles possam retornar.
Esta estória não é nova. Pelo mundo, em cada canto do nosso planeta, em cada país e em todos os tempos, vários povos e grupos, grandes e pequenos, estiveram sendo perseguidos e sujeitos à violência e discriminação baseadas em raça, gênero, idade, religião, nacionalidade e visão política. Nesta véspera de Ano Novo, nós também nos lembramos dos eventos que aconteceram há 2010 anos. Muitos de nós em todo mundo celebramos recentemente o dia de Natal – que é um dia de esperança pela paz do mundo – a estória de uma criança nascida num tempo e lugar de grande perseguição e violência. Para muita gente, o nascimento de Jesus é a estória de alguém que superou estas condições, e ofereceu uma mensagem de esperança, e um caminho de paz.
Agora enquanto estes 400 monges e monjas budistas atravessam seus próprios momentos de perigo, eles se juntam à fileira de incontáveis outros. Neste momento, milhares e milhares de outros ao redor do globo, católicos, protestantes, ateus, hindus, mulçumanos, pequenas seitas e comunidades, negros, asiáticos, hispânicos, africanos, mulheres, crianças, idosos – incontáveis grupos – milhões estão sujeitos à discriminação e violência. Muitos estão buscando abrigo, pedindo ajuda. Muitas destas vozes não são ouvidas.
Neste ano de 2010 vamos nos proporcionar o tempo necessário para fazer as pazes conosco e com aqueles à nossa volta. Um caminho de paz e indiscriminação estão disponíveis. Vamos dedicar os primeiros dias de 2010 à aceitação, à inclusão, à não-violência, à paz.
Vamos caminhar em paz com os pés de Gandhi e Martin Luther King, seguindo as pegadas de Jesus, Moisés, Maomé, Buda e incontáveis outros mensageiros da paz e da liberdade. Vamos, por um dia, não causar danos a ninguém, a nenhum ser vivo, nem a Terra, seja em pensamentos, palavras ou ações. Vamos por um dia, não condenar ou discriminar ninguém. O nosso mundo está desesperadamente necessitando de cura. Vamos viver juntos, um dia, em paz. Vamos dar um pequeno passo em direção à paz.
A Rádio Francesa Internaciona entrevista o Venerável Abade de Phuoc Hue
(Tradução do vietnamita http://www.rfi.fr/actuvi/articles/120/article_6030.asp)
Venerável Abade: Aconteceu também hoje de manhã, como nos últimos dois dias, eles também pressionaram, também usaram faixas, também usaram gestos para empurrar a Sanga de Plum Village para fora. E eles me pressionaram, dizendo que eu tinha que assinar um documento para expulsar os monásticos.
RFI: E no final, você assinou o documento. Qual o conteúdo do documento?
Venerável Abade: Eles me forçaram, então eu tive que assinar que a partir de hoje até dezembro… Eles disseram que não poderia ser prolongado novamente, somente até o dia 15 de dezembro. Mas eu pedi ao Comitê do Povo e a Frente Nacional que me desse até o final de dezembro. Então eu assinei o documento, e o conteúdo é que de hoje até o final de dezembro, a comunidade tem que ir embora do templo Phuoc Hue. Eu também pedi que os diferentes níveis do governo trabalhassem de tal modo a não permitir que pessoas violentas entrem aqui de novo.
RFI: Quem são estas pessoas violentas, respeitado professor?
Venerável Abade: Entre as pessoas violentas estavam também policiais e membros/funcionários do governo e jovens desconhecidos que vieram aqui.
RFI: Não havia nenhum seguidor budista do templo, havia?
Venerável Abade: Eu quero confirmar uma coisa: que não havia absolutamente nenhum seguidor budista. Hoje de manhã eu também confirmei com o Comitê do Povo (Uy Ban) que se alguém é um seguidor budista (um filho budista), aquela pessoa tem que tomar refúgio nas Três Jóias e estudar o Darma e praticá-lo. Eles não eram seguidores budistas.
RFI: Inclusive as pessoas que ficaram de pé diante de você e disseram coisas desrespeitosamente e se chamaram de seguidores budistas de Phuoc Hue, você confirma que elas não eram seguidoras budistas?
Venerável Abade: Não, elas não eram.
RFI: Há notícias de que o governo mobilizou algumas centenas de policiais em treinamento de Hanoi para irem à Phuoc Hue, isso é verdade, professor?
Venerável Abade: Isso eu não vi, ainda não sei.
RFI: Legalmente, se alguém tem uma casa, e outra pessoa aponta uma arma para o proprietário daquela casa forçando-o a assinar um documento de que ele tem que abandonar a sua própria casa, esse documento tem validade/legitimidade no Vietnã?
Venerável Abade: Agora, eu apenas assinei. Se isto é válido ou não… eu não compreendo como funciona. Eu não sei. Eu também estive dizendo a eles que: minha casa tem um dono, e quando existe um proprietário, se houve desordem na casa, eu lhes peço ajuda, mas vocês não ajudam.
RFI: Há notícias de que monásticos, funcionários, Veneráveis e Os Mais Veneráveis da Igreja Budista de Lam Dong se sentiram perturbados, e eles ameaçaram de renunciar coletivamente para se opor a estas ações. Isto é verdade?
Venerável Abade: Sim, também existe isso. Os Veneráveis compreendem que toda essa agitação leva a nada; só vira tudo de cabeça pra baixo. A Igreja Budista tentou trabalhar, mas não pode fazer coisa alguma, então a Igreja Budista também quis dizer, bem, então nós renunciamos.
RFI: O seu telefone também foi cortado. Os policiais intervieram para impedir o templo de entrar em contato com o mundo lá fora?
Venerável Abade: Por todo o tempo, eu ainda pude ouvir o telefone, mas certamente, as pessoas lá fora também ouviam.
RFI: Você é o Abade do Templo Phuoc Hue. Então você sabe que os lares dos seguidores budistas do templo estiveram sendo cercados nestes últimos dias, eles puderam vir ao Templo Phuoc Hue?
Venerável Abade: Sim, isto aconteceu. Teve isso sim.
RFI: Pelo que você sabe como os seguidores budistas laicos reagiram a estes eventos?
Venerável Abade: Os seguidores do Templo Phuoc Hue sentiram que isto é injusto (bat binh) que haja estas ações e trabalhos, porque eles dizem que a prática espiritual é para todos (tu thi ai cung tu). Eles sempre apoiaram o caminho da prática. Eles não vêem problemas algum. Por isso sentem que é injusto tudo o que aconteceu. Eles até mesmo choram.
RFI: Qual é a reação dos monges e monjas de Bát Nhã atualmente no templo?
Venerável Abade: Os monges e monjas, ainda estão vivendo aqui no momento. Eles continuam a praticar, a fazer meditação caminhando, fazer meditação sentada, entoar cânticos e à noite eles também recitam sutras e fazem prostrações [tradição da Terra Pura]. Depois de tudo o que aconteceu, como eles tinham medo que eu estou fraco e doente, então eu teria certas dificuldades (buc xuc), por causa disso eles queriam reconhecer o papel deles – queriam tempo para pensar, assumir responsabilidade pela parte deles nisso. (Qua cai su viec nhu the nay, boi vi ho so toi la yeu om, cho nen co nhung cai buc xuc, do do ho cung muon la de ho co 1 phan nao do de ho suy nghi va ho se giai quyet cong viec cua ho).
RFI: Depois das cartas do Venrável Minh Nghia em Dong Nai e do Venerável Vien Thanh in Da Lat pedindo permissão para patrociná-los terem sido negadas, os monges e monjas continuaram a residir em Phuoc Hue sob sua proteção compassiva. O que o Senhor acha desta vasta região do Vietnã, sob este imenso céu não ter um lugar para estes 400 jovens monges e monjas se refugiarem?
Venerável Abade: Eu também desejo isso, porque o Vietnã sempre quer funcionar sendo verdadeiro com o espírito de proteger o povo gentil e ético sempre, para que assim eles pudessem viver uma vida de prática de acordo com as aspirações e votos deles. E talvez eu também desejo que o governo também sempre tenha estes pensamentos. No Vietnã, embora tenhamos muita gente, nós ainda temos muita terra.. Eu também quero que, se existir alguns males entendidos, que nós coloquemos isto de lado, e ajude a trazer de volta a vida de prática por eles. Outra coisa é que, existe tanta terra no Vietnã, então com certeza, um dia num futuro próximo, o governo ajudará a comunidade para que ela possa viver junta em algumas áreas. É este o meu desejo. Também espero que todos vocês também os ajudem a ter um bom lugar.
RFI: Uma pergunta rápida, querido Professor, o governo teme a “Carta de Sangue” escrita pelos jovens monásticos em Lam Dong2 dois meses atrás e o que eles declararam [que seriam capazes de sacrificar a vida deles] se o governo usasse violência para oprimir os monásticos de Bát Nhã?
Venerável Abade: Eles não temem este tipo de coisa.
RFI: Obrigado, Venerável Thai Thuan. Que o Bodisatva Avalokiteshvara lhe proteja e os monásticos de Bát Nhã.
Venerável Abade: Muito obrigado, irmão. Desejo-lhe boa saúde.
O som mágico da cítara
Viva lindamente cada dia!
Caminhada pela paz em Paris
Caminhada pela paz em Paris
A meditação caminhando começou às 14h com a Irmã francesa Giác Nghiêm partilhando sobre a prática da meditação andando. Tinham mais de 500 pessoas participando do evento, cada uma delas segurava uma flor e tinha vindo andando pacificamente desde sede da UNESCO, passando por alguns parques e ruas principais na frente da Torre Eiffel, terminando na Praça dos Direitos Humanos, Trocadero. Depois disso, cada participante colocou no chão da Praça uma flor representando um monástico que está enfrentando dificuldades em Bao Loc. A meditação caminhando foi encerrada com uma sessão de meditação silenciosa e evocação do nome de Avalokiteshvara.
O Corpo de Diamante – Carta de Thây aos irmãos e irmãs monásticos do mosteiro Bát Nhã
Blue Cliff, 7 de outubro, 2009
Neste ínterim, Thây começou o tratamento em MGH, o maior e mais bem conceituado hospital no nordeste dos Estados Unidos. Thây foi hospitalizado no dia 17 de Agosto e na manhã do dia 21 de agosto, Thây escreveu uma carta aos retirantes em YMCA, Estes Park, Colorado. Do hospital, Thây foi informado que ao ouvirem a carta de Thây naquela noite muitas pessoas choraram, monásticos e também leigos. Depois de ler a carta, os irmãos e irmãs invocaram o nome do Bodisatva Avalokiteshvara, e depois deram uma orientação sobre as práticas durante todo o retiro. Após a orientação, toda a comunidade praticou o Nobre Silencia até depois do almoço do dia seguinte. A prática do Nobre Silêncio ajudou muito o retiro. Muitas pessoas tiveram a oportunidade de reconhecer e abraçar suas decepções e reações – formações mentais que surgiram quando eles receberam as notícias de que Thây não estaria presente no retiro. Na meditação caminhando da manhã seguinte, o café da manhã em silêncio e a primeira palestra de Darma ajudaram muitos retirantes a abraçarem e transformar a decepção, preocupação e outras formações mentais negativas.
TUDO O QUE QUERO É PRATICAR MINHA FÉ
Monja Noviça [aspirante à vida monástica]
A última Meditação Caminhando
Nunca tínhamos apreciado tanto cada momento juntas antes. Para podermos ficar juntas, estávamos determinados a suportar qualquer quantidade de pobreza, dor e sofrimento. Somente cinco minutos se passaram em tristeza profunda; então nós continuamos a cantar nossas canções de prática. Cantávamos e cantávamos até que o ônibus parou em frente ao templo Phuoc Hue. A partir daquele momento em diante, nossa vida passou para uma nova página, não menos bonita ou majestosa.
Personalidades públicas ilustres do Vietnã Ousam Falar Abertamente Sobre Bat Nha
Departmento: Governo – Sociedade, Religião.